O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (14) que manteve uma “longa conversa” com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Em coletiva de imprensa, o republicano adotou um discurso mais conciliador e disse acreditar que os dois países terão uma relação positiva.
Segundo Trump, o diálogo foi produtivo e abordou diversos temas de interesse bilateral. “Discutimos muitas coisas e acho que estamos nos dando muito bem com a Venezuela”, declarou. O presidente norte-americano também elogiou Delcy Rodríguez, chamando-a de “uma pessoa fantástica”.
Questionado sobre a postura do ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, considerado uma das figuras mais influentes do chavismo, Trump minimizou possíveis resistências. “Eu conheço a número um”, afirmou, em referência à presidente interina.
A fala ocorre em meio a um cenário de mudanças políticas na Venezuela após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no início de janeiro. O casal foi levado para Nova York, onde responde a processos judiciais por acusações como narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com as autoridades americanas, Maduro teria comandado por mais de duas décadas uma organização criminosa dentro do Estado venezuelano voltada ao envio de cocaína para os Estados Unidos. As penas previstas podem variar de 20 anos de prisão à prisão perpétua. O ex-presidente, no entanto, nega todas as acusações.
Apesar disso, Trump recuou recentemente no tom das críticas e passou a classificar a Venezuela como um possível aliado. Na última sexta-feira (9), ele afirmou que observa o governo interino de Delcy Rodríguez como um parceiro estratégico, especialmente para conter a influência da Rússia e da China na região.
“Agora eles parecem ser um aliado e acredito que continuarão sendo. Nós não queremos a Rússia lá, não queremos a China lá”, disse o presidente norte-americano.
Atualmente, Delcy Rodríguez comanda a Venezuela de forma interina enquanto Maduro permanece preso nos EUA. Ela afirmou que o país não é governado por agentes externos e que apenas as autoridades venezuelanas exercem o poder sobre o território nacional.
A declaração foi uma resposta direta a Trump, que, em entrevista à NBC News, afirmou que os Estados Unidos estariam “no controle” do país vizinho. Segundo ele, integrantes do alto escalão do governo, como o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete Stephen Miller e o vice-presidente JD Vance participam do processo.
“Nós vamos administrar o país até o momento em que for possível. Temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal”, declarou Trump.