O pagode voltou ao topo do consumo musical no Brasil em 2025 e encerrou um ciclo de sete anos de hegemonia do sertanejo nas plataformas de streaming. De acordo com o ranking da Pró-Música — entidade que reúne as principais gravadoras e produtoras fonográficas do país —, o gênero lidera a lista das 50 músicas mais ouvidas entre 1º de janeiro e 30 de junho deste ano.
A canção mais executada no período é Coração Partido, versão em português do clássico pop espanhol Corazón Partío, sucesso lançado em 1997 pelo cantor Alejandro Sanz. A nova leitura, gravada pelo grupo brasiliense de pagode Menos é Mais, resgatou a música que marcou época — inclusive como trilha sonora da novela Torre de Babel (TV Globo, 1998) — e a levou novamente ao topo das paradas, quase três décadas depois.
Embora lidere o ranking, o pagode que domina as playlists nacionais em 2025 apresenta uma sonoridade híbrida, fortemente influenciada pelo pop e por outros ritmos urbanos. Trata-se de um “samba pop” contemporâneo, capaz de incorporar hits internacionais à cadência do gênero, como demonstra a adaptação da música de Alejandro Sanz.
Mesmo com a perda da liderança, o sertanejo segue com presença expressiva no ranking. Artistas do segmento ocupam três das dez posições mais altas da lista, confirmando a força e a permanência do gênero no gosto popular.
Outro dado relevante revelado pelo levantamento é o avanço do trap e do funk, estilos que vêm crescendo de forma consistente e frequentemente aparecem combinados em colaborações entre artistas dos dois gêneros.
Independentemente do ritmo, o ranking reforça um traço marcante do consumo musical no país: a preferência por produções nacionais. Das 50 músicas mais ouvidas no semestre, 47 são de artistas brasileiros. A exceção fica por conta da cantora norte-americana Lady Gaga, que aparece duas vezes na lista impulsionada pela repercussão do megashow realizado em maio, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Apesar da predominância da música brasileira, o cenário também revela contrastes. Artistas elogiados pela crítica especializada e frequentemente destacados pela imprensa musical — como o trio Os Garotin, a cantora Liniker e os cantores Jota.Pê e Zé Ibarra — não figuram no ranking. O resultado indica que, em 2025, o público segue priorizando gêneros de apelo mais popular, como sertanejo, trap, funk, arrocha e um pagode de viés mais comercial.

