Morreu nesta quinta-feira (8) Mateus, o segundo dos gêmeos siameses de Mato Grosso que nasceram em Goiânia. Os bebês passaram por uma cirurgia de separação de emergência após o irmão, Marcos, sofrer quatro paradas cardíacas e não resistir, o que agravou o quadro clínico e antecipou o procedimento cirúrgico.
De acordo com o cirurgião pediátrico Zacharias Calil, a morte de Marcos tornou a cirurgia inevitável, na tentativa de preservar a vida do segundo bebê. No entanto, mesmo após a separação e com todo o suporte intensivo, Mateus também evoluiu a óbito.
Marcos e Mateus nasceram unidos pela região do quadril, uma condição rara conhecida como gêmeos isquiópagos. O parto e todo o acompanhamento mobilizaram uma equipe multiprofissional especializada, devido à alta complexidade do caso.
Cirurgia e atendimento intensivo
Após a separação, Marcos foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde sofreu uma parada cardíaca e morreu. Mateus permaneceu sob cuidados intensivos, mas não resistiu às complicações decorrentes do procedimento e da gravidade do quadro clínico.
Os pais dos gêmeos, Raylane Siqueira de Oliveira e Maycon Alex Rodrigues, são moradores de Canarana, no interior de Mato Grosso. Raylane realizou todo o pré-natal no Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento (Hemu) e estava com 34 semanas de gestação, cerca de oito meses, quando o parto de emergência foi realizado.
Parto de emergência
Os gêmeos nasceram na terça-feira (6) e, logo após o parto, foram encaminhados à UTI neonatal, onde eram acompanhados por uma equipe multidisciplinar. O procedimento foi conduzido pelos ginecologistas obstétricos Jéssica Alencar Rezende e Almiro Francisco Lopes, com acompanhamento do cirurgião pediátrico Zacharias Calil.
Caso raro e complexo
Segundo Zacharias Calil, o caso é considerado raro e extremamente complexo. O médico destacou que partos de gêmeos siameses exigem planejamento detalhado e atuação de equipes altamente especializadas. Para ele, a condição só não apresenta maior complexidade do que casos em que os bebês nascem unidos pela cabeça.
Gêmeos isquiópagos
Em publicação nas redes sociais, Calil explicou que gêmeos isquiópagos são unidos pelo ísquio, um dos ossos da pelve. Nesses casos, os bebês podem compartilhar estruturas ósseas e, em algumas situações, órgãos da região abdominal e pélvica.
A formação ocorre ainda nas primeiras semanas da gestação, quando o embrião não se separa completamente. A gravidade varia conforme o grau de união e os órgãos compartilhados.
Nota oficial
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e o Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento (Hemu) informaram que, na madrugada desta quinta-feira (8), um dos gêmeos apresentou sucessivas paradas cardiorrespiratórias e, apesar de toda a assistência prestada, evoluiu a óbito.
Diante da gravidade do quadro, a equipe médica indicou a realização de uma cirurgia de emergência para a separação dos irmãos, com o objetivo de preservar a vida do segundo bebê. O procedimento foi conduzido pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil. Mesmo com todos os cuidados especializados e suporte intensivo, o segundo gêmeo também não resistiu.
A SES-GO e o Hemu manifestaram solidariedade à família e reafirmaram o compromisso com a prestação de uma assistência em saúde de qualidade, segura e humanizada.

