O prefeito do Recife, João Campos (PSB), tornou-se alvo de um pedido de impeachment após a alteração do resultado de um concurso público para procurador municipal. A denúncia foi protocolada pelo vereador Eduardo Moura (Novo), que aponta possível violação ao edital do certame e prática de ato de improbidade administrativa.
O concurso foi realizado em 2022 e previa uma vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD). O advogado Marko Venício dos Santos Batista foi o único aprovado nessa modalidade e aguardava apenas a nomeação. No entanto, a prefeitura reclassificou outro candidato, Lucas Vieira Silva, que havia concorrido inicialmente pela ampla concorrência e ficou em 63º lugar. Dois anos após a homologação do concurso, ele solicitou reinscrição como PCD, após apresentar laudo com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Apesar de três pareceres contrários de procuradoras concursadas, o pedido foi deferido pelo procurador-geral do município, cargo indicado pelo prefeito. Lucas Vieira Silva é filho de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco e de uma procuradora do Ministério Público de Contas, o que ampliou a repercussão do caso.
A nova classificação foi publicada em dezembro de 2025, e o candidato chegou a ser nomeado. Após a repercussão negativa e críticas de entidades de classe, como a Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais, a prefeitura voltou atrás e nomeou o candidato inicialmente aprovado.
No pedido de impeachment, o vereador afirma que a mudança no resultado do concurso configura crime de responsabilidade. A Câmara Municipal informou que o pedido está sob análise da Procuradoria da Casa para avaliar se cumpre os requisitos legais para tramitação.
Em nota, a Prefeitura do Recife afirmou que o caso se trata de uma controvérsia jurídica e negou qualquer irregularidade, destacando que a decisão buscou preservar a legalidade e a segurança jurídica do concurso.

