O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um conselho internacional voltado à discussão da reconstrução e da governança da Faixa de Gaza. A iniciativa, chamada de “conselho da paz”, pretende tratar de temas como segurança, relações regionais, investimentos e financiamento para o território palestino. Até o momento, Lula ainda não respondeu ao convite.
De acordo com interlocutores do governo brasileiro, a decisão deve ser analisada apenas na próxima semana. A posição oficial do Planalto também só será divulgada depois que o presidente definir se participará ou não do grupo.
Além de Lula, outros líderes e figuras internacionais foram convidados. O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou publicamente sua participação e afirmou que considera uma “honra” integrar o conselho. Também fazem parte da lista o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o empresário Marc Rowan e Robert Gabriel, integrante do Conselho de Segurança Nacional americano. Trump será o responsável por presidir o órgão.
A criação do conselho foi anunciada como parte da segunda etapa do plano dos Estados Unidos para encerrar a guerra em Gaza. Segundo a Casa Branca, o objetivo é fortalecer a governança local, incentivar investimentos, viabilizar a reconstrução e organizar a segurança no território palestino. Paralelamente, o governo americano nomeou o general Jasper Jeffers para comandar uma força internacional que atuará na estabilização da região e no treinamento de uma nova polícia local.
Para Lula, o convite envolve desafios diplomáticos. Desde o início do conflito, em outubro de 2023, o presidente brasileiro tem adotado um discurso crítico às ações militares de Israel, defendendo o cessar-fogo e a criação de um Estado palestino. Essa postura contrasta com a posição dos Estados Unidos, principal aliado do governo israelense.
Caso aceite participar do conselho, Lula poderá ser pressionado a justificar sua presença em uma iniciativa liderada por Trump, que apoia Israel. Além disso, o grupo não está vinculado à Organização das Nações Unidas, instituição que o Brasil costuma defender como principal espaço para mediação de conflitos internacionais.
Por outro lado, recusar o convite também pode gerar desgaste. Trump tem buscado apoio internacional para fortalecer a legitimidade do conselho, e uma negativa do Brasil pode afetar a relação entre os dois países, especialmente em um momento de negociações comerciais envolvendo tarifas sobre produtos brasileiros.
A decisão de Lula, portanto, envolve não apenas a política externa brasileira, mas também o posicionamento do país diante de um dos conflitos mais sensíveis do cenário internacional atual.

